Eu vi o mundo... | 1999 - 2000

Com intervenções físicas e culturais, o projeto atuou sobre a praça do Marco Zero e os arrecifes que dão nome à capital pernambucana.

EU VI O MUNDO… ELE COMEÇAVA NO RECIFE

A intervenção física na Praça Rio Branco, popularmente chamada de Marco Zero por ser o ponto a partir do qual todas as distâncias do Recife são medidas, implicava em sua ampliação, com a inserção de um enorme painel de Cícero Dias, intitulado “Rosa-dos-ventos”, no piso de sete mil metros quadrados da praça e a instalação de uma série de esculturas monumentais de Francisco Brennand sobre o molhe de arrecifes naturais, destacando-se uma torre intitulada “Coluna de Cristal”.

O projeto “Eu vi o mundo…”, cujo título foi inspirado no painel homônimo de Cícero Dias, foi uma das maiores intervenções urbanas feitas no que é chamado de Recife antigo.

Praça do Marco Zero, onde o Recife começa - Rosa dos Vendos de Cícero Dias

PRAÇA DO MARCO ZERO RECIFE, A PEDRA - CÍCERO DIAS

Diz o profeta Ezequiel ter Deus criado o mundo com rodas.

Diz Dante: com círculos, porque não com círculos?

No primeiro círculo, as águas, calmas ou tumultuadas, nascia o Recife. No segundo círculo, uma cidade cheia de cores, nas encostas de terras virgens, limitada por corais que vinham à flor das águas, visitadas por poderosos veleiros.

No terceito, tudo circundando a Rosa dos Ventos, com sua própria graduação, em seus traçados geométricos, soprando em volta, pulando em vagas e mais vagas, a vertigem sideral do universo.

No quarto círculo, a faixa branca indica os planetas.

O quinto círculo, formado de estrelas guiando o homem ao infinito, descobrindo o resto do mundo. Um século cobrindo outros séculos vindouros.

Por fim, o último círculo, uma faixa azul Celeste, envolvendo a terra em toda a sua extensão. Esta faixa que os amigos chamavam de Pátria Celeste. 

Painel Eu Vi O Mundo… Ele começava em Recife, de Cícero Dias – 1929 – Guache e técnica mista sobre papel – 1.94 x 12m

GALERIA DOS ARRECIFES - FRANCISCO BRENNAND

Galeria dos Arrecifes – Francisco Brennand
Coluna de Cristal
Homens vindos das cidades alcançaram as grandes florestas do mundo. Nada melhor como símbolo desse encontro do que a idéia de uma coluna encimada pelo elipse de uma flor, cujo nome é Cristal. Os conquistadores encontraram a Árvores da Vida, catedral de folhagens guardando em seu âmado o OVO resplendente da eternidade.

SEREIAS

Nesta sentinela avançada do Atlântico, cinco Sereias olham o tempo: Cora, Severina, Justina, Marina, Alberta. Cada uma é um século. Assim, 500 Anos de descoberta. Ali, tão perto, uma coluna branca tenta ser o pouso de vôos desconhecidos.

A Coluna Cristal de Francisco Brennand e a Sereias, nos arrecifes da Capital pernambucana

Cícero Dias, Radha Abramo - 1999
Cícero Dias, Reginaldo Esteves e Radha Abramo.
Francisco Brennand
Escultor Francisco Brennand.