Roberto Ploeg

(Bíblicos para uma pintura contemporânea) (Contemporâneos para uma leitura bíblica)

Quero fazer uma pintura contemporânea que testemunha e que procura analisar nosso tempo à luz de narrativas bíblicas. O texto bíblico é um pretexto. Envergadura histórica e apropriações da história de arte serão balizes. Os títulos são recorrentes na história da arte. As imagens conhecidas, pois tratam da condição humana atual.

Sou pintor. Pintor tradicional. Uso tinta a óleo sobre tela. Faço pintura de cavalete. Gosto da história da pintura. Sou tradicional também nesse sentido. Procuro dialogar sempre com outros pintores, seja de tempos antigos, modernos ou atuais. Há citações, apropriações e releituras em meu trabalho. Não se cria do nada. Primeiro precisa-se exercitar o olhar sobre o acúmulo de imagens que a história da arte nos oferece. Olho a realidade com essas lentes, vendo como a vida imita a arte. Vejo pinturas possíveis em todo canto, o tempo todo, não me desligo. Minha pintura é contemporânea, deste tempo mesmo, que procuro testemunhar e analisar sem colocá-la a serviço de uma ou outra ideologia. Gosto de desenvolver um conceito nas minhas pinturas, aprofundar uma temática, apresentar uma série que tenha conexões diversas entre as obras. Normalmente minhas exposições são mostras deste paradigma, resultado desse método de trabalho. Gosto de gente. A figura humana é minha paisagem preferida. Coloco minha emoção e meu afeto na pintura que é para mim como se fosse uma sublimação erótica. Os pinceis acariciam a pessoa, com cores e traços recrio a pessoa. A incidência da luz tropical me fascina. Uma luz radical de contrastes e cores tão fortes quanto os contrastes sociais que a realidade brasileira nos apresenta. Gosto do povo brasileiro.

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